O Projeto “Cartografando a qualidade dos Serviços DST/Aids do Município de São Paulo” tem por objetivos trazer à sociedade a avaliação dos serviços de assistência às DST/HIV/Aids feita em oficinas pelos usuários de um determinado serviço especializado.

A cartografia social é uma metodologia de análise da realidade. Temos a cartografia oficial e a social. A oficial é aquela dos mapas feitos pelos cartógrafos. A cartografia social identifica no mesmo território – ou no delimitado –, realidades vividas que não aparecem na cartografia oficial por meio das narrativas, por meio da análise daquelas pessoas que vivem naquele espaço territorial.

A cartografia social é capaz de identificar o que a cartografia oficial não consegue. Há exemplos de espaços urbanos de convívio comunitário que a cartografia oficial não alcança. Agora, como a gente faria esta cartografia na perspectiva da luta contra a aids? Cartografando a qualidade dos serviços. Mapeamos os serviços de assistência às DST/Aids do Município, os usuários deste serviços e, por meio das oficinas de cartografia social, estes usuários narram como é a percepção da qualidade do atendimento do serviço.

O projeto foi dividido por Coordenadoria Regional de Saúde. O Projeto Bem-Me-Quer (PBMQ) ficou responsável pela execução no primeiro ano [e os serviços da Rede Municipal Especializada (RME) da regiões norte e centro-oeste], e o GIV – Grupo de Incentivo à Vida, no segundo ano [e os serviços das regiões sul, sudeste e leste]. No terceiro e quarto anos – projeto atual –, os serviços são avaliados com oficinas coordenadas pelo GIV – Grupo de Incentivo à Vida e pelo Grupo Pela Vidda/SP (em 2019).

As atividades consistem de oficinas mensais com usuários dos serviços, que relatam os acontecimentos ao longo de seus tratamentos ambulatorial, de internação ou de agravo.

A novidade do projeto é a modalidade nova de controle social, diferenciada, porque está na perspectiva do usuário que normalmente não tem voz e que raramente participa de um conselho gestor, quando este existe. A novidade é dar voz a quem normalmente não a tem no ambulatório. Essa é uma das primeiras novidades: o controle social por meio do usuário do serviço. Ele não dá recado, ele conta o que vive. Ele não fala para os ativistas, ele tem um espaço para contar o que sente e o que ele vive no serviço.

A plataforma é o desdobramento tecnológico do projeto. O Google Maps [veja em http://bit.ly/cartografandoSP] é usado para fazer o georreferenciamento digital dos serviços, que dá visibilidade universal, porque é uma plataforma pública na internet, o que é o grande diferencial. A plataforma online dá visibilidade aos relatos, às narrativas dos usuários. O georreferenciamento identifica e classifica os serviços pelos relatos. No caso do Programa Municipal, ele pode fazer a qualquer tempo a análise de toda a rede municipal especializada, desde que pelo menos um usuário de um serviço tenha participado de uma oficina e feito uma avaliação, porque certamente estará lá.