Para lutar contra os cortes orçamentários promovidos pelo governo federal no Ministério da Saúde, que afetam as políticas de enfrentamento ao HIV/aids, centenas de ativistas estiveram hoje (21) nas escadarias do Theatro Municipal, no centro da capital paulista. O Manifesto em Defesa das Políticas de Aids no Brasil foi lido durante o evento.
O ato, organizado pelo Foaesp em parceria com as Ongs associadas, a AHF Brasil e a Agência de Notícias da Aids, reuniu cerca de 300 pessoas nesta manhã. Rodrigo Pinheiro, presidente do Foaesp, ressaltou a importância de ir para as ruas lutar e fazer o enfrentamento. “Vivemos um momento crítico e os cortes causam impactos e comprometem a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV/aids”, disse.
Para Fabiana Oliveira, do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP), “as políticas públicas de saúde precisam avançar, e não retroceder. Estamos há quatro anos sofrendo ataques, desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirmou. “Há falta de medicamentos, há prateleiras vazias para medicamentos essenciais e estamos enfrentando fracionamento de medicamentos para o HIV (lamivudina) e agora são anunciados mais cortes no orçamento?”, se indignou.
A ativista lembrou ainda da forma preconceituosa e do modo discriminatório que o presidente da república trata a aids e as formas de sexualidade. “Defendemos o SUS, a democracia, a vida de todas, todos e todes. Somos resistência”, destacou.
Carla Diana, da Associação Prudentina de Incentivo à Vida (Apiv), também pontuou sobre os retrocessos. “Chega de hipocrisia, não podemos permitir mais cortes, o SUS é nosso, e a nossa dignidade é tirada todos os dias. Precisamos de políticas de vida, e não de morte. Chega!”, observou.
Américo Nunes Neto, do Instituto Vida Nova, alertou que, com os cortes, o tratamento das pessoas que vivem com HIV/aids pode ser descontinuado, colocando em risco a vida de todas elas. “Precisamos fortalecer o SUS, não podemos permitir que os recursos vão para esse orçamento secreto e não para as pessoas que precisam”, disse. De acordo com dados do Boletim Epidemiológico HIV/aids do Ministério da Saúde, mais de dez mil pessoas morreram pela doença em 2020.
Leia o manifesto.
Veja o vídeo da transmissão ao vivo da manifestação feita pela Agência Aids.