Liliana Mussi, vice-presidente do Foaesp, participou, no último dia 2, do debate Meet Point Estadão ao Vivo, organizado pelo jornal O Estado de S. Paulo. Como parte das atividades do Dezembro Vermelho e do 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta Contra a Aids, o tema foi “São Paulo como case global de prevenção ao HIV: da conquista da PrEP oral ao horizonte da PrEP injetável”.
Na oportunidade, a vice-presidente do Foaesp falou sobre os resultados alcançados com a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV) no Brasil e no mundo. “Poucas tecnologias em saúde mostraram impacto tão rápido, tão sólido, e tão transformador na prevenção do HIV quanto a PrEP. A cidade de São Paulo se consolidou, nos últimos anos, como uma das experiências mais bem-sucedidas do mundo na implementação da PrEP. O que começou como uma política inovadora, se transformou em um modelo internacional de prevenção combinada, de ampliação de acesso, e de impacto real na redução das novas infecções”, disse.
“Apesar dos avanços significativos na cidade de São Paulo na estratégia de prevenção combinada, a implantação da PrEP oral no interior paulista, e também em outras regiões do país, ainda enfrenta obstáculos estruturais, organizacionais e socioculturais, limitando o pleno acesso da população à profilaxia”, ressaltou. Esses desafios, entre outros, refletem desigualdades históricas na rede de saúde, dificuldades de financiamento, falta de capacitação, e barreiras culturais que impactam diretamente a oferta e a adesão.
Liliana Mussi disse ainda que a PrEP injetável representa um avanço decisivo na resposta ao HIV. “É uma tecnologia que supera barreiras de adesão, amplia o acesso, e protege, justamente, as populações mais vulnerabilizadas. Porém, os medicamentos de longa duração e injetáveis também podem ser utilizados no tratamento, e precisam ser considerados nos dois contextos, de prevenção e de tratamento”, ponderou.
A vice-presidente do Foaesp observou que a incorporação dos medicamentos de longa duração e dos injetáveis não é somente inovação, mas necessidade urgente para a redução de novas infecções. De acordo com Liliana Mussi, a incorporação vai fortalecer o tratamento, e recolocar o Brasil na liderança global da prevenção e do cuidado.
“Entretanto, a incorporação desses medicamentos de longa duração e injetáveis no SUS só será efetiva se vier acompanhada de um preço acessível, que permita sua oferta universal, e com planejamento adequado para sua implantação”, concluiu Liliana Mussi.
Também estiveram presentes o médico infectologista e diretor da Sociedade Paulista de Infectologia, Álvaro Costa; a médica infectologista e pesquisadora Maria Felipe Medeiros; e o coordenador do setor de Assistência às Pessoas Vivendo com HIV da Coordenadoria de IST/Aids da cidade de São Paulo, Robinson Camargo. A mediação foi de Camila Silveira.