Como encerramento das atividades do Dezembro Vermelho e do ano de 2025, o Foaesp realizou hoje, 19, o seminário “Eliminação do HIV/aids no estado de São Paulo: quais os desafios dos municípios para atingir as metas até 2030?”. 
Além dos representantes das Ongs associadas, estiveram presentes representantes do Ministério da Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e representante da Secretaria Municipal de Saúde de Guarulhos.
Artur Kalichman, do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde (Dathi/MS), detalhou as diretrizes para eliminação da aids como problema de saúde pública até 2030, um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).
A meta 95-95-95 tem como objetivo que 95% das pessoas que vivem com HIV/aids tenham seu diagnóstico, que 95% das pessoas estejam em tratamento com antirretrovirais, e que 95% das pessoas em tratamento consigam a supressão viral.
De acordo com o representante do Ministério da Saúde, o maior desafio é no acesso e na manutenção do tratamento, e que hoje as metas estão em 93-82-96. Kalichman ressaltou também a questão da vulnerabilidade, já que as pessoas que mais morrem de aids no Brasil são os pobres, pretos e periféricos. Nesta semana, o Brasil obteve a certificação da ONU pela eliminação da transmissão vertical do HIV.
Artur Kalichman também comentou sobre o acesso à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) que, embora em expansão, ainda é bastante desigual, já que a população mais vulnerável é a que menos acessa a profilaxia. Outro ponto detalhado por Kalichman foi a realização de oficinas nos estados.
O representante do Ministério da Saúde ainda apresentou números do Boletim Epidemiológico HIV/aids 2025. A eliminação da transmissão vertical e a queda na mortalidade foram destaques, e Kalichman explicou algumas mudanças no boletim deste ano, com bases de dados que foram juntadas para a contabilização de pessoas que vivem ou viveram com HIV no país.
Rosa Alencar, representante do Programa Estadual de DST/aids da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, contou sobre o plano estratégico estadual para eliminação do HIV como problema de saúde pública.
O Programa de Boas Práticas em HIV/aids também foi apresentado por Rosa Alencar, assim como o Programa Juntos na Prevenção, parceria com a Secretaria de Estado da Educação. 
Além dos avanços, Rosa Alencar também falou sobre os desafios, como o diagnóstico no momento oportuno, vulnerabilidades sociais, e questões como racismo, estigma, preconceito e discriminação. 
Marina Alves, coordenadora de IST/aids do município de Guarulhos, traçou um panorama das ações em seu município ao longo dos anos, e contou sobre os desafios enfrentados no município. Alguns fatos estiveram na mídia, como a falta de médicos infectologistas nos serviços de saúde.
A representante do município de Guarulhos também relatou outros desafios, como o diagnóstico tardio, e problemas de acesso e rastreamento, principalmente entre mulheres e populações vulneráveis.
Rodrigo Pinheiro, presidente do Foaesp, ressaltou a importância da participação de uma representante da gestão municipal no seminário, pois é necessário fortalecer os municípios e estar atento às diversidades de cada um deles. 
De acordo com Pinheiro, um dos grandes desafios, que inclusive foram temas de questões levantadas pelo público aos participantes do seminário, é a falta de interlocução das gestões com a sociedade civil organizada.
Outros temas abordados no seminário foram as burocracias dos editais, o conservadorismo que muitas vezes impede ações efetivas, a necessidade de ações de comunicação para combater a invisibilização do HIV/aids, os desafios para trazer os jovens para o movimento de luta contra o HIV/aids, entre outros temas.
Assista ao seminário na íntegra.