Evento reuniu mulheres de várias regiões do estado, debateu políticas integradas e contou com representação do Foaesp, na mesa de abertura. Em um contexto em que tantas mulheres ainda enfrentam, ao mesmo tempo, o HIV, o machismo, o racismo, a pobreza e a violência, o encontro reafirmou que falar de HIV é falar de vidas reais, de corpos atravessados por desigualdades e de uma resistência que se renova todos os dias.
O Movimento Nacional das Cidadãs Positivas de São Paulo (MNCP-SP) realizou, entre os dias 4 e 6 de março, o X Encontro Estadual, com o tema “Entre a Luta por Direitos e o Amor Próprio: Mulheres Tecendo Novos Futuros”. O evento se consolidou como um espaço de escuta, troca de experiências e formulação coletiva, em plena sintonia com o mês em que se marca o Dia Internacional da Mulher.
Na mesa de abertura, o Fórum de ONGs/Aids do Estado de São Paulo (Foaesp) esteve representado por sua vice-presidente, Liliana Mussi, ao lado de lideranças do movimento e de representantes do poder público. Em sua fala, Liliana destacou que políticas públicas para mulheres vivendo com HIV só fazem sentido quando construídas com a participação efetiva delas. “Nada de nós sem nós”, afirmou, lembrando que a resposta ao HIV precisa ser pensada a partir da realidade concreta das mulheres: “Quando uma mulher vivendo com HIV fala, ela não está falando só de saúde; está falando de moradia, de comida na mesa, de criação de filhos, de violência, de trabalho e de futuro. Se a política pública não enxergar tudo isso, e não tiver a mulher no centro da decisão, ela falha.”
Em pleno março, enquanto campanhas celebram o Dia Internacional da Mulher com mensagens de empoderamento, o X Encontro do MNCP-SP lembrou que empoderar, na prática, significa garantir escuta qualificada, participação real nos espaços de decisão, proteção social, recursos e presença efetiva do Estado onde a vida está mais vulnerável. As propostas e reflexões que emergem desse encontro não são apenas reivindicações: são caminhos concretos para uma política de HIV/Aids mais justa, integral e humanizada.
Ao reafirmar seu compromisso histórico com as mulheres vivendo com HIV, o MNCP-SP reconhece nessas vozes uma força política e humana indispensável para qualificar a resposta à epidemia em São Paulo. Em tempos de ataques a direitos e de tentativas de esvaziamento de políticas sociais, encontros como este mostram que a resistência segue organizada, propositiva e em movimento e ouvir essas mulheres é condição fundamental para que o Estado e a sociedade avancem, de fato, no enfrentamento ao HIV/Aids.