No último dia 17, o Foaesp promoveu, em parceria com o Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids (Mopaids) e de maneira híbrida, duas capacitações para os representantes das Ongs associadas. Com o objetivo de estruturar e fortalecer as organizações, foram chamados dois profissionais, que falaram sobre captação de recursos e compliance.

Fernando Nogueira, da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), apresentou um panorama geral das organizações da sociedade civil e focou na captação de recursos.

Definida por ele como “o conjunto de atividades que mobiliza diferentes tipos de recursos para que uma organização sem fins lucrativos possa cumprir sua missão”, a captação de recursos é um ato, um verbo, uma atividade permanente e dinâmica.

Nogueira também falou sobre captação, pedido e doação, e que captar, na prática, tem como etapas o diagnóstico, o planejamento, a pesquisa, o contato e o relacionamento.

Mostrando dados de pesquisas, o palestrante apontou que as principais fontes de doação para o terceiro setor são pessoas físicas; governo; empresas; fundações e institutos; produtos e serviços; igrejas; e ajuda internacional.

O convidado também falou sobre como as organizações brasileiras fazem as captações, ressaltando que há diversos modelos e caminhos. Sobre as técnicas e as estratégias para captação, Nogueira afirmou que a diversificação e o relacionamento são fundamentais.

Thaís Rocha, advogada especialista no atendimento de organizações da sociedade civil, também traçou panorama do terceiro setor no país, fez diferenciações importantes, como no caso de associações e fundações, e mostrou o mapa das organizações da sociedade civil no Brasil, pontuando sobre impactos econômicos e sociais.

A palestrante apresentou dados da Pesquisa Doação Brasil 2024, “mais abrangente estudo sobre os hábitos de doações de indivíduos no Brasil” e que mostra que o volume total de doações individuais (institucionais, dinheiro, bens, tempo) é de R$ 24,3 bilhões em 2024.

Thaís Rocha falou sobre governança, explicando sobre a importância na elaboração correta do estatuto social, assim como a necessidade de mantê-lo atualizado, por exemplo. A palestrante também falou sobre compliance, que é o “ato de deixar a organização em conformidade com normas, leis, regramentos, políticas e procedimentos internos”. A especialista destacou que compliance é uma “ferramenta de proteção da reputação e dos interesses da organização, um norteador de condutas”.

A palestrante também explicou a metodologia “Casa”, desenvolvida a partir de doações vultuosas a organizações da sociedade civil feitas por uma milionária americana, Mackenzie Scott. Dirigentes das associações foram entrevistados e, de acordo com Thaís Rocha, a metodologia “Casa” traz autonomia e sustentabilidade. A metodologia “Casa” aponta que na base está a governança (estatuto social), nos quatro pilares estão a captação de recursos, o impacto socioambiental positivo, o compliance e a comunicação. No telhado está a colaboração.

Veja a apresentação de Fernando Nogueira.

Veja a apresentação de Thaís Rocha.